Roberta Gambine Moreira, mais conhecida como Roberta Close (Rio de Janeiro, 7 de dezembro de 1964), está completando hoje 60 anos.
Roberta é uma socialite e ex-supermodelo, brasileira naturalizada suíça. Anteriormente trabalhou como apresentadora, atriz e modelo — profissão pela qual desfilou para inúmeras grifes, inclusive Thierry Mugler, Guy Laroche e Jean Paul Gaultier, além de estampar editoras da Vogue e Marie Claire, se tornando uma dos principais expoentes das passarelas brasileiras para o mundo na década de 1980.
Foi a primeira modelo trans a posar nua para a edição brasileira da revista Playboy. O sobrenome artístico “Close” veio em função da extinta revista Close, para a qual Roberta posou em 1981, projetando-a nacionalmente e vendendo mais de dez milhões de cópias.
Nas décadas de 1980 e 1990, Roberta apareceu nos maiores programas de entrevista da mídia brasileira: Fantástico, Domingão do Faustão, Hebe, Gugu, nos programas do apresentador Goulart de Andrade, entre outros.
Ela afirmou que sofria preconceito nas novelas, na hora de gravar, pois nenhum homem queria beijar sua personagem, devido ao seu tipo de identidade de gênero.
Em 1989, após dez anos em consultas com psiquiatras e psicólogos, conseguiu realizar seu grande sonho: Fazer sua cirurgia de redesignação sexual, devido a sua forte disforia de gênero, que a incomodava muito. A cirurgia foi realizada em Londres, com ajuda de amigos, pois era muito cara e a artista não possuía o dinheiro todo. A operação foi muito bem sucedida e lhe trouxe realização pessoal e novas projeções profissionais. Roberta informou em entrevistas ter tido uma recuperação tranquila e sem dor. Em entrevistas, Roberta negou ser somente uma mulher trans, afirmando ser também intersexo, e que a cirurgia feita não foi somente para uma mudança das características sexuais, mas sim também uma readequação da sua identidade de género ao sexo biológico, pois segundo a artista, sempre teve um pensamento e uma personalidade feminina, e que nasceu intersexo, tanto que ao fazer exames de DNA, comprovaram que, mesmo quando possuía um órgão genital masculino, também nasceu biologicamente com características hormonais entre o típico masculino e feminino, tanto que sempre possuiu voz leve e poucos pelos, pois havia pouca testosterona em seu organismo, o que facilitou a sua transição, o que é um caso raro na medicina. Após a cirurgia de redesignação sexual, Roberta afirmou que seu corpo está condizendo com a sua identidade de gênero.
Roberta sofreu por todos seus documentos pessoais ainda constarem seu nome masculino. Logo após a cirurgia, começou sua luta pelo direito de trocar de nome em 1990, mas seu pedido foi imediatamente negado, deixando-a muito abalada e triste. Voltou a tentar mudar o nome em 1992, quando conseguiu na 8ª Vara de Família do Rio autorização para trocar de documentos, pedido que lhe foi negado em 2ª instância pelo TJ-RJ. Em 1997, a defesa da modelo então entrou com outra ação, pedindo o reconhecimento de suas características físicas femininas. Roberta então passou por uma perícia com nove médicos especialistas, e os laudos comprovaram que ela possuía aspectos hormonais femininos.