A Abin é a Agência Brasileira de Inteligência, com sede em Brasília está ligada a Casa Civil. Segundo o site da instituição:
Na condição de órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência, a ABIN tem por competência planejar, executar, coordenar, supervisionar e controlar as atividades de Inteligência do País, obedecidas a política e as diretrizes superiormente traçadas na forma da legislação específica. O site da Abin apresenta uma lista competências da Abin (foto).
Entenda
A Polícia Federal investiga a Abin para apurar se houve desvios de função e abusos da Abin, no que ficou conhecido como Abin Paralela, durante o governo de Jair Bolsonaro, com possível uso da estrutura para espionar opositores políticos do então presidente.
Durante estas investigações houve suspeita de irregularidades. Chegando até o caso atual, de espionagem de autoridades do governo paraguaio.
De acordo com as investigações, em depoimento, um agente afirmou que a ação usou um programa chamado Cobalt Strike, utilizado para invasão de sistemas informáticos: “O objeto da operação era a obtenção dos valores que seriam negociados do anexo C dos valores de venda de energia produzida por Itaipu“.
A ação não aconteceu a partir do Brasil, mas de servidores virtuais instalados no Chile e no Panamá, montados por agentes da Abin, relatou o servidor.
O agente afirmou que os alvos eram autoridades relacionadas diretamente à ‘negociação e aos valores a serem cobrados por megawatt‘. Foram invadidos os sistemas do Congresso do Paraguai, Câmara e Senado, e da Presidência da República.
A ação contou com a captura de senhas e dados ‘de cinco ou seis’ autoridades paraguaias, disse o servidor à PF. As informações seriam usadas para a captura de dados sensíveis sobre as negociações sobre Itaipu. As identidades das vítimas, bem como data da operação, não foram reveladas.
Ainda no depoimento, o servidor da Abin revelou que o planejamento foi aprovado pelo então diretor Victor Carneiro, que sucedeu Ramagem no cargo, já no fim do governo Bolsonaro. Contudo, a ação também contou com o aval de diretores seguintes, incluindo o atual, Luiz Fernando Corrêa.
O agente diz ter ‘apresentado pessoalmente’ a ação para Corrêa. “Luiz Fernando teria vibrado, gostou muito, que era a primeira vez que se sentia numa atividade de inteligência“, afirmou à PF.
Em um ponto do depoimento, o servidor afirmou que foram invadidos dispositivos ligados ao Congresso paraguaio, composto pela Câmara e pelo Senado, e à Presidência da República do país vizinho. Ao todo, ainda de acordo com o agente, foram capturados dados de cinco ou seis pessoas.
“Que entre os alvos foram: Presidente do Paraguai, Presidente do Senado e autoridades relacionadas diretamente a negociação e os valores a serem cobrados por megawatt”, disse o servidor aos investigadores.